A dada altura em “Os desvarios do caminhante solitário” Rousseau questiona-se sobre as suas verdades: “… Para acreditar que as coisas são como penso, bastará que me convenham?” Tenho tristeza por Rousseau não ser meu contemporâneo. Viveria no século, entre outros “desvarios”, das certezas e fórmulas. Atento como foi, encontraria facilmente em qualquer livraria um título que conviesse ao seu esclarecimento – as cem maneiras de eliminar incertezas – ou – torne-se confiante em três dias –. Vivemos no esclavagismo da “razão”. Fomos criando guettos de “razão”, progressivamente tornamo-nos cúmplices de nós e dos como nós, organizamo-nos segundo os interesses da “razão”, reunimo-nos e discutimos em função dessa “razão” esperando pelo conforto da concórdia evidente. Sentimo-nos felizes e realizados na constatação da reciprocidade temática atingindo a plenitude da satisfação nessa sensaboria. Os receios e os apelos do “coração”, ambos controlados pela “razão”, só são aceites mediante consentimento reconhecido pela sociedade. Os receios são legitimados e catalogados por temas convenientemente aceites, criam um meio apelativo reforçando os laços entre grupos definindo-os na particularidade. Do receio razoável e do apelo razoável do “coração” fixamos a intimidade comum, outro esplendor de satisfação. Vou-me equilibrando nesta miscelânea frustrante. Da alguma aptidão que adquiri pela “experiência” alterno de guetto em ghetto ludibriando o apelo da área selvagem que desconheço em absoluto e por isso temo desmesuradamente. Confesso-me dobrado pela vergonha consequente da minha pouca audácia e sabedoria incapazes de dobrar a “razão” que me ergue barreiras à entrada no mundo do “coração” aberto. Mas a “esperança”, essa desavergonhada, não me realizando alenta-me a querer um pouco mais. Nota: Servi-me do Rousseau para raciocinar por escrito. As palavras que dele usei e abusei ilibam-se entre as aspas não as sujando. Afinal quem sou eu…
pedro alex
28/01/07
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