Um velho desmazelado, bêbado, acompanhado por duas putas de leste ainda mais bêbadas e “cocaínadas”, baba-se num charuto revelador da sua masculinidade. As putas, desvairadas, cismam talvez na melhor golpada a dar ao velho seborreico, entesado na pe
rspectiva de acabar a noite a chupar o charuto pagando-lhes favores que as desvairem ainda mais.
Três mulheres de negro, sem imagem, emborcam resumos de bebidas dando-lhes coragem para que naquela noite sejam comidas por um energúmeno qualquer. Entre a coragem ou esperança dão as mãos acariciando-se amorosamente. Num momento inopinado, recebem homens para conviver na hora do café. Homens sem escolha, sem caracterização, talvez destinados a darem esperança a mulheres sem imagem. Um sem perder tempo atira-se a outra sem pudor lambendo-lhe a boca, apertando-lhe a mama esquerda com a mão.
Um casal em que nem a vela consegue fazer sombras conversa num relacionamento frio. Olham-se sem manifestar qualquer sentimento, sem mostrar qualquer arrepio quando a porta da clausura, ao toque duma campainha, abre-se entrando ar.
Dois homens bonitos, mais atrás, discutem a cultura ou o ostracismo. Talvez estejam comprometidos, talvez sintam amor um pelo outro, talvez como nós tenham prazer em se seduzir. 
Enlaçamos as pernas, oferecemos as mãos destinadas uma à outra, olhamo-nos viciados enquanto despejamos da alma o que nos dá prazer.
Enlaçamos as pernas, oferecemos as mãos destinadas uma à outra, olhamo-nos viciados enquanto despejamos da alma o que nos dá prazer.
Deixamo-nos ir no encanto do caricato circundante, bebemos ao acaso, rimos ou sorrimos em estado de graça, adivinhamos, galanteamos. Admiramo-nos iluminados pela chama que nos faz alaranjados.
Temos nome, temos asas, temos tempo, temos querer, temos invencibilidade.
Não esperem por nós. Não nos mandem parar, somos anjos.
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