pedro alex

27/03/07

Antes do Dia Seguinte era o Sei lá...

Sei lá…

Não é partir do pressuposto de que nada sei, pelo contrário, seria difícil se com 43 anos não soubesse nada, não tivesse aprendido nada. Talvez fosse possível nada saber, mas isso
Sei que neste momento, enquanto escrevo sem saber para onde vou porque para isso basta-me a rotina e mesmo assim sei lá, tudo muda, eu mudo, a vizinhança muda, as teclas vão-se gastando, a vida passa.
Assente em valores perfeitamente sólidos e conscientes, o meu “sei lá” dá-me esperança de que afinal a entropia nem será má de todo e que a mesquinhez será obra do azar; abre-me um pouco as portas, dá-me jogo de ancas, obriga-me a pensar porque na ignorância não fico por opção.
Estou aqui por simples gozo, a fazer o que me apetece sem grandes considerações. Escrevendo dou um “sei lá” ao que me der na gana, como me deu na gana espetar no blog a minha cara e a arvore que adivinha a mudança que não tarda.
Porquê, sei lá, deu-me prazer, e aqui é suficiente…

Que tentação saltar de cama em cama como de nuvem em nuvem se tratasse.
Que tentação saltar de cama em cama, quarto em quarto, sala em sala, casa em casa, bairro em bairro, terra em terra, de mar em mar.
Que tentação saltar sem marcar quem salto e onde salto.
Por cada salto uma moeda, por cada moeda um pedido, por cada pedido um desejo, por cada desejo um alivio ou suspiro.
Por cada cama ou por cada nuvem ou por cada mar salto indiferente, resumido à certeza de nunca marcar, nunca ser esquecido, e ficar sem moedas.
Acabei de ler e sorri. Sem saber porquê acreditei no que tinha lido como quem crê em bruxas. Olhei finalmente para quem me desafiava. Pausadamente levantou-se, sorriu e leu:
Que tentação ter-te de cama em cama como de nuvem em nuvem se tratasse.
Que tentação ter-te de cama em cama, quarto em quarto, sala em sala, casa em casa, bairro em bairro, terra em terra, de mar em mar.
Que tentação ter-te sem marcar quem tenho e onde tenho.
Por cada vez que te tenho uma moeda, por cada moeda um pedido, por cada pedido um desejo, por cada desejo um alivio ou suspiro.
Por cada cama ou por cada nuvem ou por cada mar tenho-te, indiferente e resumida à certeza de nunca marcar, nunca ser esquecida, e ficar sem moedas.
Acabou de ler e sorriu. Sem saber porquê acreditei no que tinha ouvido como quem crê em bruxas. Olhei finalmente para quem me desafiara. Pausadamente levantei-me, sorri e saí.

Quando estiver a ouvir esta música talvez esteja sozinho e só mexa os pés e ancas meio apatetado, ou talvez te encontre e te peça com um sorriso “dançamos?”. Então dirás que não danças com estranhos, ou que está gente a mais, ou pior, que não queres.
Como poderei num instante mostrar-te que não sou nenhum estranho, e que o pavilhão está deserto. Que por não quereres não terei palavras, nesse instante, para mudar se assim o entendesses a tua vontade. Só gostava de te dançar, só isso.
Se assim acontecer, num segundo sentirei um vazio enorme provocado pela súbita e desiludida diminuição do meu ritmo cardíaco.
Se também e por acaso sentires nesse instante gosto em me dançar, então dançaremos e sentirei desenfreadamente o mundo aos nossos pés esperançado que o sintas também.
Aconteça o que acontecer e já balançado por outra música qualquer estarei agradecido sem o saberes, porque num instante fizeste-me sentir muitíssimo seja lá de que maneira for.


Vem, corre e abraça-me, um destes dias quando for cantor, porque já fui bailarino, desafiarei a tua insónia cantando-te. Dizes-me “prefiro adormecer com o teu olhar” enquanto carinhosamente o teu indicador me cala os lábios.
Conformado adormeço-te enquanto te olho, e quando já não me ouves ensaio vezes sem conta a canção que tanto me embalou. Mudam-se os tempos e ficam-se-me as vontades. Tanto gostei que me embalassem, tanto gosto de te embalar, tanto gosto de julgar que sentes o que eu sentia. Eu já não sentirei mas as vontades, ai as vontades ficaram e dou-tas assim as queiras.
Enquanto te olho acabo também por adormecer, afinal, agora és a minha lullaby…

- Espere, espere. (2ª pessoa)
Disse repetidamente enquanto eu procurava a saída.
- Não disse nada, nem sequer se apresentou. Não pode entrar e sair assim, sem dizer nada. (2ª pessoa)
- Desculpe, não sabia. (1ª pessoa)
- Não leu as regras do jogo? (2ª pessoa)
- Li só a primeira, consumo obrigatório, as outras são tantas… (1ª pessoa)
- Tem que as ler todas, tem que as cumprir para o jogo se tornar interessante! (2ª pessoa)
- Desculpe mais uma vez, eu não sabia que isto era um jogo! (1ª pessoa)
- Tudo se joga, devia ter lido a última regra. (2ª pessoa)
- A última regra? (1ª pessoa)
- A que obriga quem entra a ficar até cumprir as antecedentes. (2ª pessoa)
- Mas… (1ª pessoa)
- Deixe-o ir, o gajo não cumpre regras. (3ª pessoa)
- Estão a falar de quem? (4ª pessoa)
- Acho que daquele! (5ª pessoa)
- Nunca o vi. (6ª pessoa)
- Está a ver a confusão que está a criar, as regras são para cumprir! (2ª pessoa)
- Adoro confusões, não estão nas regras? (7ª pessoa)
- Claro que não. Não sabe as regras? (3ª pessoa)
- Quem é que também desconhece as regras? (2ª pessoa)
- Aquela… (3ª pessoa)
- Não, ela sabe-as! (5ª pessoa)
- Fala por mim? Conheço-o? (7ª pessoa)
- Conhece as regras? (1ª pessoa)
- Conheço, agora cumpri-las… (7ª pessoa)
- Gostava de as conhecer. (1ª pessoa)
- Gostava? Para quê? (7ª pessoa)
- Para nada, para conhecê-la… (1ª pessoa)
- Se lhas contar não vai ter tempo de me conhecer! (7ª pessoa)
- Posso passar por cima das regras e conhecê-la? (1ª pessoa)
- Pode, mas não pode infringi-las… (7ª pessoa)
- Sinto que as sei de cor! (1ª pessoa)
- Então venha e conte-me o que sente. (7ª pessoa)
- Acendo eu o fogo e tu darás calor ao braseiro, mostrarei os passos e tu dar-lhes-ás a razão, farei luz e tu torná-la-ás branca, as sombras terminarão, o escuro nunca mais assustará meninos, rondaremos por lados quaisquer, anelaremos os nossos dedos, cruzaremos os princípios, lançaremos mãos um para o outro enquanto dizemos “um dó li tá, quem está livre, livre está”… (1ª pessoa)
- Estão a falar de quê? (4ª pessoa)
Olhámos confundidos para o deslocado.
- Ainda bem que te encontro. Vamos embora. (8ª pessoa)
- Não eu fico! Quero conhecer novas regras. (7ª pessoa)
- És sempre a mesma… (3º pessoa)
Olhámos indiferentes para a inconveniente.
- Acrescentem-se novas regras. (2ª pessoa)
- Obrigado, obrigada… (1ª e 7ª pessoas)
Ficámos a imaginar novas regras, sentidas num instante e sem necessidade de se cumprirem.

Streap-teasem-se um pouco as regras. Apetece-me um streap daqueles suplicantes mesmo sabendo que nunca conseguiria aguentá-lo até à última peça de roupa, só mesmo atado.
Tem piada porque se fosse necessário, muito necessário, seria capaz de me streapar aos poucos, pensamento por pensamento, razão por razão, verdade por verdade, sempre com alguma vergonha de mostrar a minha nudez mas sensualmente até ao fim.
Confesso que os meus streaps são demorados e muitas vezes incompletos. “É um pecado” dizem, mas a minha nudez não é para todos os olhos, muito menos para todas as bocas, e nem falo em corações, porque esses, coitados, de tão enfartados que andam, querem lá saber dos meus streaps.
Confesso que tiro a roupa num instante, embora me dê muito mais prazer tirá-la só depois de fazer o meu streapanço e perdoarem as incorrecções da minha nudez.

- O que é uma imensidão?
- Queres que te diga o que vem no dicionário?
- Não, quero que me digas o que é para ti uma imensidão.
- Ah, sei lá uma imensidão pode ser muita coisa…
- Ai… quero que me digas já o que é uma imensidão!
- Uma imensidão é um balde de grãos de areia…
- Que falta de espírito!
- São três jackpots do euromilhões seguidos?
- Que materialista!
- É a VCI na hora de ponta?
- Que urbano, pensei-te diferente!
- Estás desiludida?
- Francamente?
- Claro!
- Imensamente desiludida…
- Comigo ou com a imensidão?

Não me apetece telefonar-te!
Não me apetece escrever-te!
Apetece-me encontrar-te!
Como?
De qualquer maneira.
Como?
Telefonando-te, escrevendo-te e encontrando-te. Vamos?
Vamos… Sei lá!...

“A lábia fala mas não faz acontecer”
Telefono?... Sei lá…
“A lábia fala mas vai acontecer”
Escrevo?... Sei lá…
“Sei lá… pode acontecer”
Encontrar-te?
“ A língua lambe mas não sabe o que dizer”

Uma vez escrevi quando me despedia do Azul:
…A minha fantasia é a realidade. A minha realidade mistura-se com a minha fantasia… Consciente de que não sou monótono, excepto no Amor que repito sem conta, termino com o azul para sempre. Leve, despreocupado, sem nada mas mesmo nada que me inspire, sorrio sem sarcasmo pronto a abraçar outra cor qualquer. Pesado, despreocupado, como temia vaguearei nos cinzentos, mas deles farei dias de chuva e deles tirarei os infindáveis prazeres que proporcionam. Deles farei dias de nevoeiro e deles tirarei os infindáveis mistérios que escondem. Do cinzento, quem sabe, farei milagres, embora olhe para o que escrevi e tenha consciência da vulgaridade da minha redacção e do meu pensamento. Vulgar ou não é assim, nada mais pretendo ser que não seja um homo sapiens sapiens, nu, cru, com pelos, com mãos para agarrar, braços para abraçar, pés para andar, pernas para fugir e cabeça para nunca a mando e sempre amando pensar.

Não me sei definir, é pena, é pecado, mas não sei!
A monotonia, a obrigação e a perfeição perturbam-me.
Sei que sinto, sinto sempre XXL.

Um Beijo.

Pedro Alex

Asserto – Adj. (do lat. Assertu-), de assere. Afirmado, avançado como verdadeiro. Opinião dada ou tida por certa. Preposição afirmativa; asserção.
Nunca vi puzzles com arestas.
Asserção - s. f. (do lat. Assertione) Afirmação, asseveração. Proposição que se adianta como verdadeira.
O redondo assusta-me, limar arestas deixa-me sem jeito.
Asseveração – s. f. (de asseverar). Acto ou efeito de asseverar; afirmação positiva; certeza.
Até as arestas se encaixam. Haja vontade!
Assertivo – Adj. (de asserto). Que afirma; afirmativo
Bendita a hora em que não sou assertivo!
Ontem ouvi “gostava de ser uma poça de água para reflectir o Céu”, a aspiração do homem ao Divino.
Porra, um reflexo? Uma imagem invertida? Antes uma sombra, uma sombra do Divino, pelo menos seria a sua projecção.
E rio-me com as cambalhotas que o Nietzsche acabou de dar.

Imaginação ingrata!
Viro-me e reviro-me à tua procura mas o reboliço não me deixa concentrar.
São coisas a mais, tento a disciplina para as ordenar.
Vou ter de me atarraxar a qualquer coisa que me faça demitir desta postura anarquista e ser um menino bonito…
Não me adianta ter o meu sentido e saber os meus significados se só eu o e os entender.
Fecho os olhos e vejo a minha cara!
Não pode ser!
E enquanto a música toca vou-me lembrado doutra cara, já está melhor.
E agora lembro-me: “quem vê caras não vê corações!”
Mas a outra cara compensa!
Está bem, desisto!
Reflicto…
Atarraxo-me uma ova, são só cinco minutos e a música só tem quatro!

- Gravas-me umas músicas?
- E o que te apetece ouvir?
- Surpresas.
Passados uns dias…
- Olá!
- Olá doce.
- Sabes onde estou?
- Ao telefone?
- Patetinha, estou na cama a ouvir-te.
- Hmm… e que tal sou ao telefone?
- Hmm… nunca te experimentei…
- E queres-me experimentar?
- Ao telefone?
- Ao telefone, ao vivo em directo e a cores!
- Não, tenho vergonha…
- Vergonha?
- Sim.
- Então ouves-me só. Queres?
- Sim. Começa.
- Ainda me estás a ouvir?
- Sim estou, fala, fala mais…
- Afinal que música estas a ouvir?
- A tua…
- Surpreendi-te?
- Não sei, fala mais, depois logo se vê…

Sinto-me trespassado por vontades que vão além do meu imaginário.
Não as compreendo, desconheço-lhes a origem, razões, mas tento orientá-las. Custa-me exprimi-las.
Lembra-me a fase por que passei quando era novo, entre os doze e catorze anos, em que a criatividade era incontrolável, o desejo ao minuto.
Será um paradigma qualquer?
Será que estou a entrar na fase que me irá levar para velho?


… Fodias-te!


Estou na fase dos serás. Na dos porquês seria caricato.

As duas pressupõem interrogações.

Nunca passei pela das certezas.
Fase porca!

Será?
Sei lá…

… Poupa-te!

[Estou irritado]

Numa tentativa de me igualar
Encurto as frases,
Abstraio-me da realidade vulgar
E procuro um ar de poeta.
Sonante!
Nem a Noite, nem o Dia,
Nem as Estações,
Nem algum Lugar me justificam.
Recrio-me nos meus Amores e Desamores
Por Tudo e por Todos.
O usufruto é meu!
O gozo também.
A Saudade, sinto-a…
E finda a poesia gostava de um dia sentir a saudade que têm de mim. Teria uma comparação e certamente dosearia a saudade que tenho dos outros. Não, prefiro manter-me na ignorância. Como poderia eu corresponder se o meu limite da saudade fosse ultrapassado?
Estarei eu a cometer a imprudência de equilibrar ou ponderar sentimentos?
Não interessa, está dito, não deixa de ser mais uma tentação.

Um carneiro, dois carneiros, três carneiros, quatro carneiros, cinco carneiros, seis carneiros, sete carneiros, oito carneiros, nove carneiros, dez carneiros, onze carneiros, doze carneiros, treze carneiros, catorze carneiros, quinze carneiros, dezasseis carneiros, dezassete carneiros, dezoito carneiros, dezanove carneiros, vinte carneiros, adormeci. Senti-te chegar aos poucos doce e carinhosa como sempre te aspirei, entravas nua pela janela e enrolavas-te nas cortinas tão lentamente quanto eu queria. Virei-me tão lentamente quanto querias, devagar, sem compasso. Estiquei um braço e virei a cabeça envergonhado pela beleza. Convidei-te. Vieste desenrolando o vestido, cortinado, enquanto o ar quente entrava, e por ele, desencantando-te, eu transpirava.
Vinte e um carneiros.
Acordei de braço esticado, dorido e só. Feliz da vida e pela vida, da velhacaria do sonho não quero sentir falta.
Vinte dois carneiros, vinte e três carneiros, tantos quanto forem precisos para não adormecer, antes desfalecer exausto neste rebanho infinito de badalos que me espantam o sonho e me dão a lã para rebolar em folia, nunca contigo sonho que me desassossegas, mas com o acaso que me persegue.

- Recita-me só mais uma vez a cantiga…
- Não, tenho soninho. Deixa-te estar caladinho.
- Não consigo! Já estou quietinho como pediste.
- Então deixa estar também a boca quietinha.
- Não posso, tenho cócegas na boca. Coça-me a boca.
- As bocas não se coçam, beijam-se.
- Então beija-me!
- Não te cansas com tanto beijo?
- Nooooooooooooo, i’m a kiss addicted!
- Vá! Está sossegadinho, não te vais levantar às sete?
- Não, só às sete e um.
- Então descansa.
- Estou descansado. Recita-me a cantiga.
- E ficas caladinho, sossegadinho e agarradinho a mim?
- Prometo-te mil vezes que sim.
- Sem figas?
- Sem figas.
- Olha então para mim:

Vi o meu amigo cujos olhos tristes
Certo se alegravam
De me ver dançar.
Fui largando as roupas que me embaraçavam,
Fui soltando as tranças… Olhos que me vistes,
Doces olhos tristes, não no ireis contar!

Que o amor é lume bem eu sei… que logo
Que vi meu amigo
Por entre os salgueiros,
Melhor eu dançava, já não só comigo
Toda num quebranto, ao mesmo tempo em fogo,
Melhor eu movia mãos e pés ligeiros.

Já está sossegadinho?
- Hmm, Hmm
- Posso apagar a luz?
- Hmm, hmm!
- Que lindo, calou a boquinha!
- Hmm, hmm.
- Gostas de mim?
- Hmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!
- Dá-me um beijo!
- Hmm?
- Um Beijo!
- Com a boca aberta ou fechada?
- Tanto faz, ias faltar ao prometido na mesma!

Estou convencido que as coisas porreiras atraem coisas fixes, as coisas complicadas atraem coisas difíceis, as coisas simples atraem coisas insignificantes, as coisas estruturadas atraem coisas perfeitas, e por aí fora…
A abstracção ao realismo é essencial para me entender nestes Momentos, obviamente!
Exorbitante!
O Natural exorbitante!
O Prazer exorbitante de apreciar o porreiro, fixe, complicado, difícil, simples, insignificante, estruturado, perfeito, e por aí fora…
Da imaginação chega-se ao exorbitante?
Da imaginação chega-se ao proveito?
Da imaginação chega-se ao imaculado?

Momentos…

[mensagem:]

Posso-te ligar?

[resposta à mensagem:]

Pergunta à tua imaginação!

[Sem resposta à resposta]

Outro momento…

Numa exposição.
Pinturas.
Textos enormes a letras gordas, ao lado, por cima, por baixo, a chuparem e lamberem as pinturas.
Não entrei na ménage. Li os textos sem imaginar as pinturas.
Na próxima verei as pinturas sem imaginar os textos.

Ainda outro momento…

Música em cima de posts?
Permito-me ser egoísta. Permito-me ser idiota ao ponto de imaginar que tudo o que escrevo ao som de uma música será exorbitantemente belo.

Tudo o que couber nos meus braços será meu e nunca o partilharei a não ser em quem neles se sinta. Quanto neles mais se sentirem, talvez menos eu os sinta.
Nos meus braços cabe um grão de areia, na minha boca um absinto, no meu espírito uma mulher.
Na minha ideia tu cabes, só tu, tão egoísta que não me deixas ter outra, outra ideia.
E contra ti sublevo-me, mas cambaleio enredado nos teus prazeres traiçoeiros, quase de sereia, que conscientes me afogam no ser só teu, vida de prazeres conscientes e traiçoeiros.
Num grão de areia cabe uma vida.
Num absinto cabem alegrias, noites e dias.
No meu espírito cabe uma mulher.
Sou egoísta, sou prescindível, irradio por tua causa!
Por tua causa, vida, cego, não d’olhos, d’ideias.
Tu, mulher, na minha alma, que não confundo com ideia, abrandas-me e só tu cabes apertada.


Estou na multidão.
Atiro-me conforme a conveniência, não vejo mal nisso. Habituo-me ao ricochete do acaso como num video-game.
Randomiso-me, crio do random.
Jogo vídeo, regras simples. Atirar ao acaso e apanhar o ricochete.
A pontuação acumula em função dos ricochetes que apanho, não há bónus, nem segundas oportunidades.
Os ricochetes acumulados permitem tiros cada vez mais certeiros.
Os tiros certeiros permitem a selecção de alvos difíceis.
O tempo conta.
O tempo corre crescente, vou perdendo a pontaria.
Helpemizem-me, crio do help.
O Jogo está viciado! Não adianta acumular ricochetes, tiros certeiros e selecção de alvos difíceis se com o tempo vou perdendo pontaria.
Godes crio do god…
Estou na multidão, no meio dela, não a olho, jogo video-games. Ela olha-me, vira-se toda, a besta, e murmura.
Huns crio do humm. Humm é o grito da multidão, da besta que ao murmurar grita-me.
Solto um pensamento: helpemizem-me!
A multidão não ouve, murmura, olha-me e aperta-me. A besta é negra.
Jogo video-games.
Absorto em atirar ao acaso, não vejo um ponto branco no negro.
O branco pisca apelativo, não é tique de namoro.
Interpelam-me:
- Simples.
- Ahhh?
- Simples, o jogo parece simples.
- Ahhh…
- Joga muito?
- Ahhh!
- Toda a gente está a olhar para si. Incomoda-se?
- Ahhh…
- Estou a incomodá-lo?
- Ahhh ahhh
- Gostei de conhecê-lo.
- Ahhh, desculpe… espere!
Tarde.
Tempo, bem inesgotável estupidamente escasso.
Desligo-me do jogo, reparo no ponto branco que pisca. Passo por ele e descaradamente aprecio-o de alto a baixo. Apalpo o pisca-pisca e desiludo-me com a sua frequência monótona. Pisca, afinal só pisca. O ponto desilude-se com a minha indiferença.
Passo. Caminho, olho-o mais uma vez rodando a cabeça lentamente ao ritmo do passo.
Opto.
Desta vez fico só com a multidão. A besta é negra, murmura e é morna, também serve.
Despreocupo-me. Adapto-me. Os huns já não gritam, a besta torna-se querida, colorida, apetecível só por um dia.
Funizo-me crio do fun, sem censura.

- Onde me levas?
- Ao rio.
- Vamos fazer o quê no rio?
- Nada, contar os paus que a corrente leva.
- Contar paus?
- Sim, mas de mão muito dadas.
- Aos domingos contas os paus que o rio leva?
- Só quando a corrente desce.
- E quando sobe?
- Não sei, não conto nada.
- Contas comigo?
- Até quanto?
- Mil…
- De mil e uma maneiras? Sim conto contigo de mil e uma maneiras!
- Quero ir contar paus…
- Mas tem de ser de mãos muito dadas.
- Porquê?
- Para ver os paus.
Leveza, lucidez?

O barco do rio sem margens

Lapsos e sombras

Contabilidade do sentimento

Giroscópio

Barcas

Frio

Doces, doces…

- Como se simplifica?
- Diz?
- Como se simplifica?
- Arranjas um denominador comum!
- E consegues simplificar assim?
- Não, nem tento.
- Porquê?

Sem cheiro nem tacto, às cegas.

- Onde estou? Numa Galeria?


1 – Fazer
2 – Dar
3 - Simplicidade da Intenção
4 – Infância Feliz
5 – Tolerância
6 – O Prazer da Desculpa
7 – Comunicação
8 – 16 Indecisões
17 – Correntes
18 – Anticristo
19 – Indisciplina
20 – Sexo
21 – Fronteira do Habitual
22 – Saudade
23 – Sonhos
24 – Romantismo
25 – Imaginação, Naturalidade, Prazer
26 – A Falha do Egoísmo
27 – Multidão
28 – O Caricato da Partilha

29 – Vende-se

- Desculpe, onde posso encontrar o 29?
- Em cima.
- Onde?
- Em cima, olhe para cima. Está interessado?
- Eu estou interessada em tudo?
- Desculpe Senhor, o 29 está em cima.
- Como disse, está interessada em tudo?
- Se for razoável o entendimento.
- Será. Posso oferecer-lhe uma palavra seca?
- Preferia doce, como se chama?
- Pedro, Pedro Alex.
- Como o 007?
Corei.
- Corou, que engraçado!
- Venha, deixe-me contar os porquês.

Vou alterar a estratégia comunicacional.
Criei imagens.
Hoje dei-lhes títulos.
Futuramente irei comentá-las de forma concisa. O comentário não terá de se adaptar à imagem.
A periodicidade mantém-se aleatória, o tempo constante: 1 post por minuto.

A justificação? Os temas são giros!
A Expectativa? Gira! Sei lá…

Fazer. Uma palavra simples, usual, cheia de significados.
Tudo o que faço tem uma consequência e um resultado.
Quando faço nunca me lembro dessa equação, normalmente sou conduzido pelo bom ou mau senso.
Faço por prazer, muitas vezes só pelo meu prazer, sem medir. Está tudo dito…

Dar. Uma palavra simples, usual, cheia de significados.
Tudo o que dou tem uma consequência e um resultado.
Quando dou nunca me lembro dessa equação, normalmente sou conduzido pelo bom ou mau senso.
Dou por prazer, muitas vezes só pelo meu prazer, sem medir, está tudo dito…


Não sou hipócrita torna-se obvia a minha admiração e atracção pela Mulher.
No entanto, mesmo na simplicidade da minha intenção, umas vezes tão óbvia e outras tão dúbia, mas sempre boa, Ela consegue tornar a teoria da conspiração numa história da carochinha.
E ao reler o entre virgulas “mas sempre boa” repenso. Está tudo dito…

Infância Feliz. Cristalino. Vê-se e cheira-se à distância quem a teve. Não a considero essencial no desenvolvimento da maturidade. Representa-me simplesmente vivências felizes que se diluem no meu “não saudosismo”. But, to me, para proporcionar felicidade é preciso conhecê-la e dá-la na boa…
Todos a querem e não querem, tretas… está tudo dito.

Entre parênteses
Isto está um tédio. Mas comprometi-me comigo, vou despachar o mais rápido estas análises preto no branco.
O meio entre o 8 e o 80 é o 31. Tem de ser, tenho de ter um desvario para encontrar alguma graça.

Marialfacinha,

Contrariamente ao que se diz por aí, passei um Verão trabalhoso, sem férias e sozinho.
Foi o meu primeiro Verão, a tempo inteiro, passado no Porto. Apercebi-me que a minha terra sem gente é triste, e eu, embora dominado desde pequeno por um espírito de contradição que não venço, não tive força suficiente para contrariar essa tristeza e como quem bóia na corrente deixei-me ir com ela. Foi por isso um Verão triste à espera que a gente retornasse e com ela a alegria da vida.
Tive de ti um relato inteiro do teu Verão, já te disse o quanto vivi as tuas férias, e de mim nada tiveste. E ao ler-te sem te ouvir, quase senti um tom resignado na tua voz que me fez prometer-te uma resposta, desta vez mais apurada, e confesso-te, a mais cuidada que alguma vez escrevi.
Pergunto-me por isso se será a mais pura, e fujo já a esta questão que me faria divergir do centro, que neste caso és tu.

Vivemos num mundo de pessoas Marialfacinha, já passou o tempo em que a nossa “mãe” Natureza era a protagonista nas descrições do Homem. Imagina comigo como teriam sido fantásticas as vivências dos nossos descobridores, as mentalidades que surgiram na simpatia de descobrir o mundo, imagina como era a humanidade, como ela cresceu e no que se tornou.
Passei parte destes últimos anos a estudar as diversas mentalidades que cruzaram a nossa História, e sabes, sinto-me perdido sem saber qual a mentalidade de Hoje. Tu sabes qual a mentalidade de Hoje, sabes qual a filosofia de Hoje?
Eu não sei, olho e nada vejo, ouço, leio e nada entendo.
Dou-te razão. Tudo se resume ao sexo, amor, relações e frustrações. Que cansativa se torna a nossa vida se a isso acrescentarmos a violência, a futilidade e a impunidade.

Gostava que o meu sentido de orientação apuradíssimo, ou não seja eu homem (obviamente que te digo isto em jeito de brincadeira), se aplicasse também à forma de organizar os meus pensamentos que ao contrário de ti nunca se conseguem ordenar mesmo que de forma estranha. E digo-te isto porque me perguntaste o que me apetecia reinventar.
Reinventar não queria nada porque não sou nada meigo a apetecer e a pedir. Apetecia-me inventar uma Mentalidade nova. Mas sou tolo, preguiçoso, e a minha inteligência é mediana, embora pareça muita no meio da mediocridade comum.
Quando encontro a solução para um problema que tenha, já é uma invenção à minha escala, eu sei que é pouco mas satisfaz-me.

Mais te digo que estou bem, até porque é uma opção minha e por isso pouco há que se lhe diga.
Já vai grande a minha resposta, senti que deveria ser assim e desculpa-me se a achaste aborrecida. Escrevo-a aqui não por ser um desmentido ao que se diz por aí, mas para que seja prova da simpatia que sinto por ti.
Beijo grande,

Pedro Alex


P.S. Desculpa-me a resposta tardia. O Marialfacinha é uma mania irresistível, desculpa-me também.

Entedio-me nas evidências, presunções de inocência, justificações pragmáticas e afins.
A racionalidade cometerá o harakiri deste blog? Faltam-me 17 posts para o descobrir

Quando me sinto amargo adoço-me com a tolerância.
Está tudo dito…

O Prazer da Desculpa
Custou-me aprender a pedir desculpa. Custou-me aprender a aceitar a desculpa.
Aprendi. Está tudo dito.



Desculpa.
Como sou confuso. Se me sinto intolerante como poderei sentir tanto prazer na Desculpa. Saber pedi-la e recebê-la deixa-me tranquilo.

Mais parênteses…

Embora tenha um certo padrão na minha comunicação, apetece-me sempre mandar um biqueiro no padrão. Os padrões são irritantes e amarelos. São amarelos porquê?
Eu descrevo:
A-MA-RE (nesta sílaba deito a língua de fora)-LOS.

Uma…
Duas…
Duas e meia…
Três:

A minha cabeleireira é gira, loira e lava-me o cabelo durante 20 minutos.
A minha cabeleireira é muito simpática e acha-me piada.
A minha cabeleireira é habilidosa, corta-me o cabelo à navalha.
A minha cabeleireira não se ri muito e só usa calças.
A minha cabeleireira não diz mentiras.
A minha cabeleireira é muito compreensiva e boa conselheira.
A minha cabeleireira diz “tirar nabos da púcara não faz mal”.
A vida da minha cabeleireira é boa, foi para Cuba e apaixonou-se.
A minha vida na cabeleireira dura duas horas e meia de 2 em 2 meses.

A minha cabeleireira é uma marketeer.
A minha cabeleireira sabe muito d’imagem positiva.
A minha cabeleireira é uma lobbyist.

Não entendo para que é que existem barbeiros…

Comunicação.

Sou um gajo confuso. Está tudo dito…

Este blog (detesto esta palavra) é constituído por:
O lado esquerdo a negro com sei lás a vermelho, que ao entrarem na cara do corpo central são transformados em posts (detesto esta palavra). Da produção dos posts (eia… palavra feia) existe o lado direito, o das ramificações correspondentes à interpretação individual do publicado.

Obviamente que é treta… tudo o que fiz ou faço, como disse no primeiro post (é desta que te deserdo), foi por prazer e espontâneo, agora apeteceu-me interpretar desta forma.

No entanto, seja ela qual for, do todo é produzida uma imagem, estou consciente disso, como estou consciente da sua dimensão cognitiva, projectiva, técnica e cultural. Mas essa “loiça” eu lavo.
Agradeço, sei lá…, muitíssimo a quem tem participado.

We are spirits in a material world… we are spirits in a material world… we are spirits in a material world

As minhas reflexões natalícias apenas se circunscreverão à problemática da rabanada e coisas parecidas. Mais uma vez a tolerância impõe-se, e dou por mim circunspecto (para ser semelhante à circunscrição) pelo espírito natalício deste recanto (para ser circuncisfláutico) desde a sua origem.
Não necessito de muito tempo para meditar e decidir qual será a melhor rabanada, a que me faz querer mais, mais e mais repetir a mais doce rabanada, a verdadeira rabanada, a rabanada de vento leste com cheiro a calor. Depois há a doce, mais simples e tangível resumindo-se a:

Cortar o cacete de pão, deverá ser comprado com 1 dia de antecedência, em fatias com 2,5 a 3 cm de espessura.
Fazer 1 L de calda: 1 L de água, 1 chávena almoçadeira de açúcar, 1 cálice de vinho do porto (tawny), 2 paus de canela, e duas cascas de limão.
Deixar ferver a calda até ao ponto espadana.
Embeber as fatias na calda e escorrê-las bem.
Depois de escorridas, passar as fatias por açúcar e canela em pó e frit-as em óleo. (homens não me deixem o óleo em ponto de ebulição!!!)
Depois de fritas e colocadas na travessa ( nunca, jamais em tempo algum de pirex) deve-se fazer mais calda na proporção conveniente para que fiquem molhadinhas e apetitosas.

Òooooooo Pai Natal, Pai Natal, já que não posso ter nesta altura a verdadeira rabanada, então põe-me a virtude, para que as que cozinhe, ao menos, adocem, adocem e adocem (sem enjoar).

[Devem ser cozinhadas a um ritmo bem batidinho, e seilá…, por exemplo com tequilla para aproveitar as sobras do limão]

Para desenjoar, e limitado ao espírito natalício que nesta ou noutra altura qualquer é o ideal, vou azedar o meu discurso via Queijo da Serra.
Esse bendito só o sei comer; nada há melhor na vida, depois de um repasto farto fino e suculento, que alambazar-me a um queijo, daqueles que me dou ao trabalho de percorrer quilómetros, quilómetros e quilómetros (engraçado, agora ando numa de repetir palavras) para o encontrar. Descobrir (1) o genuíno, aquele que ao batermos com a palma da mão não soa a oco, e que ao enfiarmos o dedo no orifício cirurgicamente lancetado no seu centro, conseguimos retirar um creme sem falhas, que nos hipnotiza levando-nos mecanicamente e de olhos fechados o dedo à boca para melhor saborear o aroma do cardo que o coalhou.
Deuses me livrem se o que escrevi não me lembra as rapidinhas, perdão, escapadinhas do turismo português…
Poderá ser servido com um Vinho do Porto, de preferência um Ruby, notar que o Tawny será mais indicado às rabanadas, e nunca um Vintage, caso o possua (não confundir com LBV – Late Bottled Vintage) reserve-o para o fim do jantar sendo obrigatória a sua decantação.
Enfim, acabei por adoçar o meu discurso via Queijo da Serra e Vinho do Porto, decerto que me sinto frustrado, oh quanto me sinto frustrado pelo queijo não me ter azedado deixando-me, afinal, vulgarmente doce.
Tenho de contrariar este instinto adoçante que nem está na moda, talvez se escrever sobre o bacalhau, as couves salteadas ou os filetes de polvo me amargue, sei lá...

(1) Descobrir – Sinónimo de encontrar, já não me bastava repetir palavras…

; ah lembrei-me agora das fases por que passei, a Azul, que saudades dela, shakespereanamente com a mão ligeiramente encurvada na testa digo num tom dramático – oh azul, azul azul que me deixaste -, engraçado, agora ando numa de repetir palavras; ah, exacto, que nesta ou noutra altura qualquer

Fotos Natalícias

Great Gig in the Sky

Vou-me perdendo em considerações natalícias e esqueço-me que estou no Céu, que tenho a obrigação de vigiar esta Terra e diariamente dar nota ao PN do que se passa. Aceitei este trabalho, fazem-me jeito alguns tostões, tostões… tostões nada… cêntimos, esqueço-me tão facilmente da realidade.
Olho para baixo e perco-me, será que Ele leva a mal se eu fizer “vista grossa”, será que valerá a pena reportar-lhe alguma coisa?
Não tenho culpa, não possuo curriculum, Ele disse que bastava a experiência de quem sabe olhar de cima para baixo. Inocentemente respondi-Lhe que habitualmente é o que faço. Ele, bondoso o PN, acreditou, nem questionou o hábito devido à minha altura. Agora tenho o fardo de me olhar sempre de cima; sim porque a vigia é individual, cada um, são milhões, tem a obrigação de se olhar do Céu, cada um olha por si.
Que grande “giga” vai por aqui, uns não se aceitam a si próprios, outros encolhem-se com vergonha, afortunados que nunca repararam nas suas qualidades alegram-se e partilham a descoberta, mulheres e homens finalmente vêm-se na sua boa ou má plenitude, que grande “giga” vai aqui no Céu.
Tempo para descanso…
Alapo-me numa nuvem ainda mais alta, bem acima do Céu quase perto do paraíso. Quebro o protocolo e cruzo as pernas, reanaliso a minha proposta de salvação do mundo, o último trabalho que me foi pedido pelo PN. As garantias estão-me a dar a volta à cabeça, ele disse que tinham de ser reais – só podem ser incluídas garantias reais – disse Ele mais do que uma vez.
Não tenho nenhuma. Tenho uma mão-cheia de boas intenções. Não vale, de certeza que não valem intenções, no Céu não há mercado de intenções, só acções. O Inferno, que não existe, só existe Céu, é que está cheio delas. É o que ouço.
Reanaliso-me, valerá a pena apresentar uma proposta de salvação sem garantias?
Acabou o descanso…
Salto da nuvem pró Céu, que grande “giga” aqui vai. Nem no Céu há entendimento? Chegou a minha hora, hora de arrumar, hora de me livrar deste trabalho que aceitei por cêntimos. Vou para a Terra, antes de ir cubro-me num imenso nevoeiro, denso e quente para que ninguém lá de cima me veja, quem quiser que me sinta pelo calor.
E verem-me para quê? Se tivesse as Garantias ainda me abria ao mundo, assim vou-me abrindo, aos poucos vou-me abrindo e fechando…

Notas:
Giga (calão do Norte) quer dizer ganda confusão.
PN quer dizer Pai Natal.
Há muito que não “inventava pelas unhas dos pés”.

Terra cinzenta, fria, húmida, de dias pequenos e aborrecidos, culpo-te pelo prolongado bocejar em que me encontro.
Não protestas?
Não reclamas pela tua inocência?
Mulher e Homem do meu dia-a-dia, indiferentes, esforçados e comuns, culpo-vos pelo prolongado marasmo em que me encontro.
Não protestais?
Não reclamais pela vossa inocência?
Cultura pobre, saloia e provinciana, culpo-te pela prolongada inércia em que me encontro.
Não protestas?
Não reclamas pela tua inocência?
Onde andará agora o meus paraíso de terra, gente e cultura?
Ligo o MP3 enquanto caminho, Avalon… Entro no Via Catarina, caminho quase dançando, vou à procura de pilhas.
- Queria pilhas por favor.
- Quais?
- Das pequeninas e fininhas. Respondi indicando com os dedos o tamanho das pilhas que queria
A rapariga sorriu. Apercebi-me e sorri encolhendo os ombros.
Desculpai-me Terra, Mulher e Homem, Cultura, afinal a culpa é toda minha…
Que se lixe e sorrio.

E se eu estivesse longe? Tão longe e há tanto tempo que te esquecesses de como sou.
Tão longe e há tanto tempo que de mim só reconhecesses a letra.
Endeusavas-me e fazias de mim o verbo?
Deitavas-te e abrias-te de olhos fechados imaginando-me?
Sou doido!
Deita-te e abre-te imaginando-me! Estou longe há tanto tempo que não me ralo.
Fecho-me desesperado num quarto diminuto, de castigo, punindo-me.

- Acorda, querido, acorda depressa.
- Ahh?
- Acorda!
- Já acordei!
- Tiveste um pesadelo?
- Eu? Não faço ideia. Tive?
- Tiveste. Lembras-te do sonho?
- Não. Sinto-me descontraído, cansado mas descontraído.
- Está bem. Mas tiveste um pesadelo.
- Não doce, tu é que tiveste. Acordaste e não te recordas.
- Oh… és pateta!
- Sou? Abraça-me… Não haverá pesadelo que nos toque, abraçados.
- Pateta.
- Dorme doce.
- Pateta o teu coração está aos saltos, foi do sonho.
- Não doce, é do abraço!

E se eu estivesse perto? Tão perto e há tanto tempo que te esquecesses de como sou.
Tão perto e há tanto tempo que de mim só reconhecesses o perfume, indiferente.
Deitavas-te e fechavas-te de olhos abertos ignorando-me?
Sou doida!
Deita-te e fecha-te ignorando-me! Estou perto há tanto tempo que não me ralo.
Fecho-me desesperada num quarto diminuto, de castigo, punindo-me.

- Acorda, querida, acorda depressa.
- Ahh?
- Acorda!
- Já acordei!
- Tiveste um pesadelo?
- Eu? Não faço ideia. Tive?
- Tiveste. Lembras-te do sonho?
- Não. Sinto-me descontraída, cansada mas descontraída.
- Está bem. Mas tiveste um pesadelo.
- Não doce, tu é que tiveste. Acordaste e não te recordas.
- Oh… és pateta!
- Sou? Abraça-me… Não haverá pesadelo que nos toque, abraçados.
- Pateta.
- Dorme doce.
- Pateta o teu coração está aos saltos, foi do sonho.
- Não doce, é do abraço!

Ontem, enquanto ouvia a Agustina falar na seriedade das conversas que manteve com a Maria Helena fiquei sossegado, bem mais sossegado.
Comparativamente sou um pedaço de asno, no entanto, na minha essência vou sentido o que elas sentiram, ao ponto de as interrogar por tu, convencido serem minhas amigas.
Entre elas comunicavam-se com deferência.
No meu íntimo, no pedro profundo (tinha de disparatar e lembrar-me do Portugal profundo), não há ninguém, nem Deus, que me impele a comunicar com acatamento. Somos iguais, absurdamente andamos todos na mesma escola enquanto vivermos.
Nesta simples evidência desvio-me do que realmente me inquieta não atormentando. Gostaria tanto que me adivinhassem, acabaria a inquietação do sonho, da intenção; no entanto nunca eu quereria adivinhar… nunca!
Antes do Sei lá... era o Mas que 31

25 de Abril - Lembranças

Respondendo à famosa pergunta, estava eu a caminho dos meus 11 anos, feliz da vida porque naquele dia não me deixaram ir para o liceu Alexandre Herculano.
Foi brilhante. Havia qualquer coisa que se passava absolutamente fora do normal, já não precisava de inventar enxaquecas para não ir às aulas. Brilhante.
No dia 26 de Abril já sabia o que era uma revolução. Brilhante.
No dia 27 de Abril, eu e os meus amigos da vizinhança já andávamos a brincar com facas de cozinha, que à socapa tínhamos fanado do arsenal de nossas casas.
Brilhante.

Quando se formaram os partidos, na minha inocência e sem medo que me comessem, comecei por ser do Partido Comunista. Depois, como ia todos os domingos à missa, constatei, porque me informaram, que não era muito coerente ser-se comuna e ir à missa.
Muito bem, deixei de ser comunista.
Ora como na altura, ser-se indiferente era impensável, gostei dum slogan que ouvi, era este:
“Hoje somos muitos, amanhã seremos milhões”.
Era um slogan de um partido cor-de-laranja com três setas viradas para cima, uma preta, uma vermelha e outra branca. O preto representa os movimentos libertadores, a vermelha representa a luta dos trabalhadores, e a branca os valores do homem, a tradição cristã e humanista.
As raparigas giras também eram deste partido.
Porreiro, encontrei para sempre o meu partido.

Desvantagens daqueles tempos iniciais:
- Os desenhos animados de leste eram uma seca monumental.
Um abraço enormíssimo pró Vasco Granja esteja lá ele onde estiver.
Os macacos eram mesmo uma seca, mas ele fascinava-me. Aliás, toda aquela gente me fascinava.
Claro que a gente de hoje também me fascina.
Vantagens destes tempos iniciais:
- Milhões, incalculáveis, mas sem duvida alguma que discutir politica com 12, 13 anos, mesmo que só dizendo obscenidades, fazia-me sentir adulto e responsável, ih, ih, ih.

Fui indo, e sempre soube onde estava naquela altura.

Hoje viajo no tempo, engraçado que ontem ouvi esta: “as viagens no tempo já são possíveis. Quando quisermos voltar ao passado lembramos, quando quisermos ir para o futuro sonhamos”.

Isto hoje parece uma montanha russa (salvo seja), eh, eh.

Pois, mas como estava a pensar, fui indo e claro que tenho saudades daquele tempo brilhante, irreverente.

Um grande abraço pró Anikibobo, bar da Ribeira, onde muitas vezes, com a malta vermelha ia comemorar a meia-noite com um cravo vermelho e a Grândola. Ai as mulheres vermelhinhas, e as lutas ideológicas, e as tréguas.

Bom, não me apetece pensar mais.

AHHHHHHH mais duas coisas:

- Foi a partir daquela altura que o meu clube começou a ser Campeão;
- Nunca me atrevi a fazer a pergunta “Onde estava você no 25/04” a quem quer que seja, que 31 acho-a pouco democrática e elitista.

Bem só mais uma para rematar.

Um decano destas andanças hoje disse-me: “todos os tempos são maravilhosos, há que saber vivê-los.”

Mil Hurras prós tempos de hoje, e claro que sem qualquer complexo:

25 de Abril para sempre…

- A escrever já? Não acha cedo demais?
Olhei parvo, primeiro para as suas pernas fabulosas, depois para o papel, mais confiante, e finalmente para ela, descontraído.
- Há horas para escrever? Respondi com um sorriso.
- Não mas senti a cama fria, acordei e não o vi. Quis desesperadamente encontrá-lo, beijá-lo, acarinhá-lo e não o vi. Tenho ciúmes do tempo que passa com os seus papéis.
O mar rebentava-se contra os rochedos enquanto a via e ouvia. Naquele dia irritava-me aquela teimosia constante das ondas contra as rochas, irritava-me o som do escorrer da água pela areia molhada, irritava-me simplesmente.
- Hoje o mar está a irritar-me!
- O mar? O seu mar irrita-o hoje?
- Não sei! Acho que está a tentar sobrepor-se a você, e isso irrita-me.
- Engraçado, a comparar-me com o seu mar, não será uma comparação desonesta?
- Desonesta? E porque seria desonesta?
- Sempre me falou do seu mar com uma grandeza, acha-me assim tão grande?
- Tão grande seria incorrecto, mas maior, tenho a certeza de que é.
- Dás-me colo?
- E será que aguento com alguém maior que um mar?
- Dá-me colo, eu estou a vazar, daqui a nada sou uma pocinha!
- Com peixinhos vermelhos e dourados?
- Azuis, amarelos e vermelhos…
- Venha, abrace-me e beije-me!
Com os braços enormes, abertos de lés a lés, e com a alma pura, abracei-a irremediavelmente convencido de que a mulher é a absoluta perfeição para um homem, abracei-a desejoso que se sentisse tão infinitamente minha como eu, naquele momento me sentia rigorosamente dela.
Abri-me, porque os homens também se abrem, senti o despudor dela a aceitar-me escancarado, enfeitiçado,

A relatividade do Stress

Quem me conhece não iria achar estranho, mas quando comecei esta enorme consideração dei por mim, no título, a escrever “a relatividade do sexo”, ri-me, quem sabe se não é uma boa temática a explorar.
Mas é o seguinte:
Recebi hoje uma mensagem de uma pessoa amiga que queria amanhã encontrar-se comigo. Relatou-me a sua disponibilidade de tal forma que senti-me cansado no fim de a ler, chiça que 31, desde as 8:30 da manha até às 7:30 da tarde aquilo era um vendaval de afazeres que não vi forma de me encaixar. Até podia mas não sou pessoa de 5 minutos. Ou tudo ou nada, meias lécas não é comigo.
A ideia seria encaixar-me no meio daquele dia “stressante”.
Fiquei curioso como o stress se aplica assim de uma forma tão banal, tão corriqueira.
Ontem, depois de uma interdição de conduzir durante 3 meses devido a excesso de velocidade, finalmente vi-me com aquele cartãozinho cor-de-rosa que me permite fazer uma das coisas que mais gosto: conduzir bem.
De cartão na mão sento-me no carro e vou matar saudades. Chovia que Deus lhe dava. Cinco minutos depois, numa saída da auto-estrada estava um lençol de óleo, despistei-me e desfiz a frente do carro.
Meio tonto, já fora do carro, olhei para o aparato e num flash relembrei tudo.
Mas que 31, que grande galo!
Três meses de jejum e pumba…
Resignado, porque não há outra forma de estar senão esta, tratei de todos os pró-formas relativos ao acidente e fui para casa.
Hoje, depois de ler a mensagem dei comigo a pensar que ontem nem me lembrei do stress com que poderia ter ficado. Sim porque estar três meses sem carta, e no momento em que a tenho ficar sem carro convenhamos que é chato.
Mas isto de stresses é muito relativo, eu já tive os meus e agora sei como os evitar.
Ontem foi simplesmente um grande galo, fiquei triste, momentaneamente desolado, mas já passou.
Ahhh, não me magoei, mas por favor não me venham lá com a treta:
“Deixa lá, do mal, o menos, não te magoaste!”

Abraçado e a sussurrar:
- Amo-te!
Abraçada e a sorrir:
- A Marte ainda ninguém foi!
A empurrar ligeiramente:
- Porquê?
A apertar ligeiramente:
- Porque fica no “muito longe”.
A apertar também:
- Vamos lá passar o fim-de-semana?
Com a mão no meu cabelo:
- Não, vamos a perto.
A olhar para longe:
- Perto é pouco.
A puxar o meu queixo:
- Perto é suficiente.
A fazer festas nas mãos:
- Tenho de ir.
A entrelaçar as mãos:
- Já? Ainda é cedo!
A separar as mãos:
- Mas para onde quero ir é longe.
A agarrar as mãos:
- Não te deixo ir.
A sorrir:
- Eu sei, mas vou.
Muito abraçada:
- Vai, mas quero um presente.
Muito abraçado:
- Amo-te.
A atirar um beijo:- A Marte é muito longe…

Benditos dias que me deixas sem necessidades e com vontades.
Abençoado calor que me deixas maravilhoso, doce, sensual, meigo, gentil, despreocupado, cómico e pacificador.
Esta tudo desfocado e tremido, esta tudo suado e abraçado, e quando me pedem eu dou nem que seja um pedaço de mim.
Realizo desejos desde a primeira luz do dia até ao último negrume da noite. Vendo paixões ao desbarato, desperdiço beijos, recuso conselhos, aconselho orgias, vivo de quem me quer por bem.
Os dias amontoam-se, são tão leves que os carrego e lanço ao vento do fim de tarde na esperança de semear uns e espalhar outros.
Não preciso de mais nada enquanto conseguir simplificar.
Olhas-me e perguntas-me porquê, e em cada porque que te dou acarinho-te e beijo-te até desistires, até só me olhares.
- Afinal, podias-me contar tudo o que sabes…
- Não quero correr esse risco.
- Risco? De quê?
- De perderes o interesse naquilo que sei.
- Sabes que isso não aconteceria.
- Sei?
- Não sabes?
- Não!
- Devias ter confiança em mim!
- E tenho, ilimitada.

- Passear é bom!
- Estar a passear contigo é bom!
- Vês! Porque te hei-de contar tudo o que sei se afinal me adivinhas?
- Quero correr o risco de sentir que te tenho totalmente…
- Risco?
- De que me pertences.
- Agora pertenço.
- E amanhã?
- Também.
- E depois…
- Também
- Juras?
- Juro.
- Quero um chocolate!
- Quero um beijo.
- Não, primeiro o chocolate.
- Beijo e chocolate?
- Não, só chocolate.
- Sem beijo não há chocolate!
- Sem chocolate não há beijo!
- Qual queres?
- Toblerone, apetece-me toblerone dos grandes.
- É sempre dos grandes.
- Mas hoje é para repartir contigo.
- Afinal o que queres que te conte?
Aos solavancos saio da letargia pegajosa de um fim-de-semana fútil por opção. Devagar exercito a minha memória e dou por mim, mais uma vez, acompanhado pelos meus conceitos descabidos, pelos meus valores “démodés” aos quais todo o rebanho abanando as cabeças anui, mas grita espavorido acusando-os de impraticáveis.
Giro o cajado com toda a força que Deus me deu esperançado que o zum-zum chame quem me comungue, e excomungado recuso-me a fugir aos prazeres do rebanho.
“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem serás” faz-me rir, como me faz rir toda a leviandade e ligeireza de quem o diz, como me faz chorar eu ser impraticável.
Gago pelos soluços, seco pelo sal de tanta lágrima, acordo ao Sol, viro-me e sussurro-lhe tão languidamente quanto posso “salpique-me”.
A minha fantasia é a realidade.
A minha realidade mistura-se com a minha fantasia.
Consciente de que não sou monótono, excepto no Amor que repito sem conta, termino com o azul para sempre.
Leve, despreocupado, sem nada mas mesmo nada que me inspire, sorrio sem sarcasmo pronto a abraçar outra cor qualquer.
Pesado, despreocupado, como temia vaguearei nos cinzentos, mas deles farei dias de chuva e deles tirarei os infindáveis prazeres que proporcionam. Deles farei dias de nevoeiro e deles tirarei os infindáveis mistérios que escondem. Do cinzento, quem sabe, farei milagres, embora olhe para o que escrevi e tenha consciência da vulgaridade da minha redacção e do meu pensamento.
Vulgar ou não é assim, nada mais pretendo ser que não seja um homo sapiens sapiens, nu, cru, com pelos, com mãos para agarrar, braços para abraçar, pés para andar, pernas para fugir e cabeça para nunca a mando e sempre amando pensar.
Adeus minha cor azul, quero lá saber, “que raiva ter esquecido o paiozinho! Enfim, acabou-se. Ao menos assentámos a teoria definitiva da existência. Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma” dizia o Carlos para o Ega.
Maravilhoso!
- Adeus, desliga tu!
- Não, desliga tu!
- Desligamos ao mesmo tempo?
- Sim, eu conto até três. Aos três desligamos pode ser?
- Sim, começa…
- Mil milhões, novecentos e noventa e nove milhões, novecentos e noventa e oito milhões, novecentos e noventa e sete milhões…
Mas impraticável!
- Três!
Piiiiiiiii…
- Tomamos chá?
- Sim, onde nos encontramos?
- Na tenda do barbére, pode ser?
- Depois subimos a duna e vemos estrelas?
- Sim…o que te apetece ouvir?
- Sei lá… leva o que quiseres.
- Pode ser Bee Gees?
- Pode…
- Olha!
- Sim…
- Não te esqueças da camisola, faz frio de noite…
- Não preciso, levo-te!

“Lonely days, lonely nights.
Where would I be without my woman? “

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Entrei na tenda meio partido pelo ondear constante do camelo. Ela já lá estava rodeada de homens. A fumarada que a envolvia tornava-a ainda mais sebastianina. Sacudi o blusão de couro e caminhei em linha recta. Em vez do chá tinha dois vodka martini à espera. Seria possível? Sem falarmos, bebemos de golada os vodka martini. Saquei do walkman, partilhei os phones, e dançamos olhos nos olhos, condicionados pelo comprimento do fio, enquanto os outros, inevitavelmente, abriam uma clareira.

“Oooh
There are stories old and true
of people so in love like you and me.
And I can see myself,
let history repeat itself. “


Da jangada via o seu corpo moreníssimo a nadar no fundo azul-turquesa do mar.
Quando veio à superfície, agarrou-me e arrastou-me. Mergulhámos com tal fôlego, que nunca mais precisámos de respirar.
Um dia, encontraram-nos ainda com mesmo fôlego. Deixaram-nos como estávamos, sozinhos e abraçados, o que tínhamos era impossível desabraçar.

“And we got nothing to be sorry for. Our love is one in a million. Eyes can see that we got a highway to the sky.”

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Estava tão perdido. Ao longe sentiste o meu desnorteio, sorriste, encolheste os ombros e afagaste-me com o teu pensamento. Sabias que precisava de me perder. Tu também o fazias, não te querias esquecer do prazer do regresso.
Cheguei ofegante, contei-te entusiasmado a aventura, e como eu quando te perdias, ouviste apaixonadamente…
Conclusão:
Em terra de surdos quem tem ouvido é rei.
O regresso é uma tanga.

"Deep is your love, how deep is your love,I really need to learn,'cause we're living in a world of foolsbreaking us down,when they all should let us be.We belong to you and me."



Esta fase azul está a dar cabo de mim, de quem me ouve e de quem me partilha. Irremediavelmente perdido pelo azul, ando no irreal. Procuro outra cor que me dê novo ar, mas em vão.
Nos escassos momentos a preto e branco receio perder a lucidez que ainda me sustenta, receio que esta fase monocromática dure demasiado e me atire contra uma cor acinzentada que não me deixe qualquer margem de recuperação.
Se me atirar, de certeza que alguém me pintará de novo, de preferência de outra cor, porque sozinho não tem graça nenhuma.


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