pedro alex

01/05/07

1 de Maio

Na minha terra, durante a passagem do dia 30 de Abril para o 1 de Maio colocam-se flores de Giesta, as Maias, nas portas e janelas.
Existem para este hábito várias explicações na memória popular. Uns dizem que por esta altura, malvados quiseram matar o Menino Jesus identificando a sua casa com um ramo de Maias. O povo quando soube desta intenção, e para desorientar os malfadados, colocou em suas casas as ditas flores confundindo os mal intencionados, que pela harmonia de tantas casas com tantas flores não conseguiram concretizar tremendo acto.
Outros dizem que as giestas floridas ao adornar as portas e janelas dão as boas vindas ao mês das flores que mais tarde darão semente ou fruto, mais não será que abrir as portas e janelas à fartura e prosperidade.
Alguns, os mais místicos, dizem que nesta noite o mafarrico anda à solta, vagabundeia na sombra da noite aspirando entrar por uma porta ou janela para infernizar a vida dos que lá moram. Vá para o raio que o parta, três vezes me benzo e em cada porta e janela “planto” a florzinha amarela que o espanta.
Haverão muitas mais lendas em torno da flor da giesta, todas elas verdadeiras, todas elas tremendamente enriquecedoras, fantásticas e apaixonantes.
Sou um homem perdido entre a lenda e a realidade, desleixado das explicações metódicas e circunstanciais que interpretam a sociedade ao jeito que lhes convém. Arrepio-me quando sou obrigado a opinar sobre factos desinteressantes, conversas sensaboronas, questiúnculas fúteis, comportamentos desviantes por opção, divagações de “moda”, apologias sobre a aptidão, e mais uma carrada de “bezerrices” que com pompa e circunstância ornam a consciência colectiva.
Hoje também é o dia que comemora o trabalhador. Agrada-me até ao céu o direito à reivindicação, o princípio da união e da luta de esforço para se conseguir nada mais do que a felicidade e a harmonia. Talvez hoje de tarde me junte a uns quantos e de mãos dadas grite para o alto – quero paz, felicidade e harmonia –.
De resto já cumpri a minha missão de me juntar a uns que baralharam os malfadados interessados na morte do Menino Jesus, a outros que abriram as portas à fartura e prosperidade, e ainda a alguns que espantaram o mafarrico. Estou perdido! Penso e sorrio.

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