Gostava tanto de vos partir o coração em bocados tão grandes que não vos coubessem na alma.
Saberá um coração inteiro sentir devidamente tudo aquilo que a vida oferece?
- Gostava tanto de te partir o coração em bocados tão grandes, mas tão grandes que terias de ter outra alma para os receberes.
- Que conversa, fala-me português.
- Não me entendeste?
- Entendo-te, entendo-te sempre.
- Então diz-me o que te quis dizer!
- Quiseste-me dizer que deverias estar calado e ouvir a música.
- Oh, lá estás tu. Não me posso expressar, volta e meia, como gosto?
- Expressa-te de outra forma agora. Não entendo para que me pões destas músicas.
- Está bem, vou-me esforçar. Eu sei que o teu coração é estilhaçado. Se eu conseguisse entrar em cada estilhaço, os fosse unindo até serem pedaços maiores, por aí fora até que lhes desses sentido e se tornassem bocados grandes, precisarias de outra alma para os receberes.
- Desconhecia-te cardiologista.
- Oh, bocados pequeníssimos não se entendem. Um só bocado enorme torna-se pesado. No entanto bocados grandes, com sentido, aligeiram o peso e harmonizam.
- Pateta, não queres ser um estilhaço, queres ser um bocado grande.
- Pois era…
- No entanto os outros pedaços teriam ser do tamanho do teu. Para haver equilíbrio…
- Pois era…
- O problema é que não podes ser tu a juntar os pedaços.
- Mas posso dar a ideia.
- Ideias, realmente ideias não te faltam… No entanto gosto de mosaicos formados por ladrilhos. Quem te disse que não prefiro um coração estilhaçado em ladrilhos que formam o meu mosaico?
- Tens razão, deve ser da música. Mudo-a?
- Se te apetecer.
Afinal já não quero partir-vos o coração em bocados tão grandes que não vos coubessem na alma. O diálogo assim o quis.
Cada um que fique com o seu coração na forma que melhor entender.
pedro alex
04/05/07
Morfologia cardíaca
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pedro alex
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