pedro alex

11/07/07

Indicadores

Sou um gajo susceptível a indicadores.
Hoje, enquanto comia um bife, eu sei, eu sei, as carnes vermelhas são pouco saudáveis, ouvi a novidade enquadrada no Dia Mundial da População – Portugal é o 7º país mais velho do mundo, em 2050 terá ¼ da actual população –.
Envelhecer não é nada triste, é um processo biológico natural e inevitável.
Nascer, desenvolver e morrer é a condição perene e inata a todas as coisas vivas e não vivas, é talvez a primeira das filosofias do universo até prova em contrário. Está tão cravada na mentalidade colectiva e individual que só na altura da morte nos lembramos do fim da existência e é tão natural, que, normalmente, morremos em paz.
Sou um indivíduo satisfeito no meu envelhecimento, lembro, esqueço e descubro, sempre estruturado na dita experiência e educação. Sem qualquer preocupação social, lembro-me da enorme amplitude do social, reflicto no entanto sobre o processo de extinção das sociedades, das suas causas e dos seus efeitos.
Qual será a longo prazo o futuro da sociedade portuguesa?
O indicador aponta para a sua extinção.
A sua mentalidade será oposta ao indicador?
A nossa maior virtude “o desenrascar”, francamente, parece-me nesta altura a nossa maior inaptidão. Aliás, sempre me pareceu.
Perfeitamente, concordo, estou chato.
Pronto dou a volta ao assunto, mas não para me desenrascar do imbróglio em que me meti, dou a volta porque sei dar voltas, aprendi essa graciosidade em aulas de dança.
- Danças?
- Permite-me ser cavalheiro, segurar a tua mão, sorrir-te e perguntar-te.
- Não, não precisas desses requintes, basta-me olhar para ti. Apetece-me.
- Seja feita a tua vontade, mas só nesta dança. Depois volto a dar conta da iniciativa.
- Veremos.
Veremos pois onde o processo de envelhecimento da sociedade portuguesa, que nunca conseguiu objectivar uma ideologia nem uma missão, acompanhado pelo salutar embrutecimento cultural proporcionado pela teoria do “desenrascanço” nos levará.
Quero lá saber. É a verdade desde que hajam outras motivações que me façam esquecer o assunto. E que as há, há…
Uma das minhas motivações é, no pressuposto, entre outros, de que um blog é a manifestação para o exterior do interior, grande treta mas enfim, conto-a como se desse um rebuçado, é… Queriam, não queriam, não conto, a minha genética leva-me a apetecer que não a conte, mas também me leva a ter vontade de a transmitir. Hajam condições.

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