Sempre fui educado no princípio do anti-meme. Desde pequeno que fui obrigado a pensar por mim e em função de variadíssimos princípios em que a cultura e a educação criaram uma matriz de comportamentos mais ou menos adequados às necessidades.
Sempre julguei por mim. Por cada frase que ouvi, cada livro que li, cada amor que vivi, cada música que dancei, cada filme que partilhei, cada “férias” que vivi, amarguras, alentos, normalidades e anormalidades, retirei simplesmente experiência.
A minha experiência resulta dessa miscelânea e de nada em especial.
Recuso-me a evidenciar o que quer que seja, e seria absurdo, por exemplo, definir aqui o que para mim representa o “Casablanca”, “La Luna”, “Feios Porcos e Maus”, a primeira vez que senti uma boca em sítios nunca antes explorados, ou a morte de quem amei indefinidamente. Jantar absurdamente apaixonado na Torre Eiffel, ver Van Gogh, Gaudi, Dali, o mar das Caraíbas a 10 quilómetros de altura durante o nascer do dia com a gaja que amei a dormir no meu ombro, conduzir um Ferrari, enamorar-me pelo desespero da Guernica , avaliar colegas definindo-lhes um maior ou menor rendimento no final do mês, ler o JN, Uderzo e Gosciny, Hergé, Camus, Saramago, Eça, Sartre ou Platão.
A brutalidade de boas e más sensações, sentimentos, atitudes, prazeres, devaneios, vitórias e derrotas por que passei, convertem o meme numa das definições mais incipientes que percebi até hoje.
Tudo tem o mesmo valor para mim, hoje uma bolota até poderá não ter grande significado prático porém não lhe retiro valor, amanhã sei lá, sei lá mesmo, por causa dela poderei ter que trepar, já diz o empirismo.
Serei um anti-meme?
Não, entendo-o, hoje é-me insignificante, amanhã até pode ser uma coisa “bacana” para fazer um brilharete, acalentar conversa, piscar o olho a uma “catraia”, e outras tretas que tornam a vida simpática, nada mais, disso tenho eu alguma certeza.
Sou por definição, então, não um anti-meme na forma de como iniciei o texto, mas, definitivamente, um “que se lixem os memes”. Se meme fosse “ oh meu, diz lá uma tanga que te torne a vida simpática” aí não teria dúvidas em, por exemplo, nomear: Levi Strauss, Floyd ou Tripas à moda do Porto. “Siga mula pró Sameiro”, não sinto isto como senti os TBA, em que por princípio da sua progressão de 1 para 5, mais dia, menos dia, todos seriam “pensantes”, a democraticidade aconteceria e a liberdade e a igualdade, essas doces, seriam uma realidade. Acolho com miles de carinho o desafio da Alexiaa, cumpri-lo néeee, não me apetece, ou não quero, até porque o que saiu de mim é controverso, nada prático como teoria da comunicação e eu sou um gajo da Paz, nunca imponho as minhas controvérsias, discuto-as com mais ou menos paixão.
Click – cortei a corrente, acendi a vela, vou fazer uso do prazer das sombras avermelhadas, dos recantos, das imagens tremidas pelo ventre da chama, esperar que um sopro me arrepie, um perfume me leve, um e-mail me enterneça, e mais, muito mais que agora não quero acrescentar. Oui, c’est moi…
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