Por culpa de um destino mais ou menos engendrado, frequento agora grande parte do meu dia entre quatro paredes forradas a estantes carregadas de livros. Há medida que a exigência me apela levanto-me e escolho um que a satisfaça.
Da janela enorme e sempre fechada, não vá a humidade dar um ar da sua graça àquele relicário, transborda um jardim romântico, dum verde-escuro profundo, que circunda o edifício ao melhor estilo da arquitectura dos anos 50.
Sem saber donde e porquê, hoje entrou no secretismo da sala uma mosca varejeira, daquelas que até os míopes notam os pêlos, que num constante zum-zum decidiu invadir a minha concentração e desencantar o ambiente.
Irritado comecei a seguir o voo barulhento da besta, tendo concluído da sua fraca inteligência pela incerteza do percurso com mudanças de direcção abruptas e imprevisíveis.
Deixa estar que hás-de pousar, pensei num modo trocista enquanto pelo canto do olho observava qual dos livros iria escolher para lhe dar a pancada que sossegaria o resto do meu dia.
Entre livros de meia dúzia de gramas e outros de meia dúzia de quilos, optei por, com meia dúzia de folhas A4, fazer uma moca robusta capaz de por fim à existência da varejeira inoportuna.
Levantei-me disposto a dar-lhe caça, também mereço um intervalo, e porque não mostrar à imensa audiência daquele circo de livros a arte de bem caçar?
Num instante, como quem ri quando vê um desgraçado dar uma cabeçada num poste por distracção, estava no meio de uma arena. Eu, o gladiador, e ela, a fera, prometíamos entretenimento aos livros saudosos de serem folheados. Decidi nomear por imperador um pastel do Silva Porto que domina a monotonia livresca. Seria ele, o pastel, que de polegar para cima ou para baixo decidiria a sorte da fera porque eu, gladiador, estava destinado à vitória.
O combate foi frustrante, num voo impensado a varejeira precipitou-se por uma alça da parede onde se esconde a luz e nunca mais a vi nem ouvi. Eventualmente, imaginei, alguma teia de aranha travou-lhe o voo para nunca mais.
Desinteressado poisei a moca A4 e reparei na impaciência de um livro que a capa escrevia “Dizêres do Pôvo” de António Corrêa d’Oliveira. Peguei nele sem custo, incluía-se nos da classe de meia dúzia de gramas, folheei-o à sorte parando numa página qualquer e li:
“ – O homem põe o Deus dispõe. –
Para fazer como quer,
Anda Deus, por entre os homens,
Em figura de Mulher.”
Sou um tipo de fácil contento, senti-me em paz, talvez um pouco feliz.
Da janela enorme e sempre fechada, não vá a humidade dar um ar da sua graça àquele relicário, transborda um jardim romântico, dum verde-escuro profundo, que circunda o edifício ao melhor estilo da arquitectura dos anos 50.
Sem saber donde e porquê, hoje entrou no secretismo da sala uma mosca varejeira, daquelas que até os míopes notam os pêlos, que num constante zum-zum decidiu invadir a minha concentração e desencantar o ambiente.
Irritado comecei a seguir o voo barulhento da besta, tendo concluído da sua fraca inteligência pela incerteza do percurso com mudanças de direcção abruptas e imprevisíveis.
Deixa estar que hás-de pousar, pensei num modo trocista enquanto pelo canto do olho observava qual dos livros iria escolher para lhe dar a pancada que sossegaria o resto do meu dia.
Entre livros de meia dúzia de gramas e outros de meia dúzia de quilos, optei por, com meia dúzia de folhas A4, fazer uma moca robusta capaz de por fim à existência da varejeira inoportuna.
Levantei-me disposto a dar-lhe caça, também mereço um intervalo, e porque não mostrar à imensa audiência daquele circo de livros a arte de bem caçar?
Num instante, como quem ri quando vê um desgraçado dar uma cabeçada num poste por distracção, estava no meio de uma arena. Eu, o gladiador, e ela, a fera, prometíamos entretenimento aos livros saudosos de serem folheados. Decidi nomear por imperador um pastel do Silva Porto que domina a monotonia livresca. Seria ele, o pastel, que de polegar para cima ou para baixo decidiria a sorte da fera porque eu, gladiador, estava destinado à vitória.
O combate foi frustrante, num voo impensado a varejeira precipitou-se por uma alça da parede onde se esconde a luz e nunca mais a vi nem ouvi. Eventualmente, imaginei, alguma teia de aranha travou-lhe o voo para nunca mais.
Desinteressado poisei a moca A4 e reparei na impaciência de um livro que a capa escrevia “Dizêres do Pôvo” de António Corrêa d’Oliveira. Peguei nele sem custo, incluía-se nos da classe de meia dúzia de gramas, folheei-o à sorte parando numa página qualquer e li:
“ – O homem põe o Deus dispõe. –
Para fazer como quer,
Anda Deus, por entre os homens,
Em figura de Mulher.”
Sou um tipo de fácil contento, senti-me em paz, talvez um pouco feliz.
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