pedro alex

10/11/07

Grito III

Há muito tempo que não grito…
Talvez o conselho do silêncio em que estava inserido tivesse adulterado o sentido da comunicação que ouvi atrás de uma parede:
- Porque, fulana (não me lembro o nome dela), a minha liberdade termina quando começa a liberdade dos outros.
Não sei se se trata duma citação de alguma proeminente figura, ou se é mais um daqueles dizeres que se usam para abrilhantar o discurso. Já a ouvi algumas vezes, no entanto nunca lhe prestei atenção, tão pouco valor.
Como disse, talvez pelo silêncio em que estava, desta vez soou-me mal, pareceu-me um dejecto oral, se eventualmente tivesse cheiro, à boa moda do Bocage diria que mais me pareceu um peido. Que raio de confusão se passaria na cabeça do homenzinho ao limitar a liberdade, a dele e a dos outros?
A minha liberdade não tem limites, quando se sobrepõe à dos outros a harmonia obrigatoriamente terá de criar o entendimento e daí surge uma nova liberdade, repartida e mais ampla, mais consensual.
O mundo não é perfeito, e viva a entropia; muitas vezes, algumas com ardor, não consigo estabelecer a liberdade consensual e desentendo-me, mas perder a liberdade, a honestidade da minha consciência, correcta ou incorrecta, não, nem pensar. O desentendimento faz parte da liberdade, olarilas.

Sem comentários: