pedro alex

14/12/07

Nunca me convenci que os cravos vermelhos personificassem a liberdade.
O meu gosto dita o cravo como flor pirosa. Sendo piroso, para mim está tudo dito, não lhe reservo mais nenhum comentário e ponto final. Porém, se lhe emprestar a liberdade, então o caso muda de figurino.
Para além de piroso, ao cravo acrescento-lhe um belo atributo, sim senhor, mas que belo, mas que grande 31 a minha pequena descoberta de hoje (ontem), – o cravo é aldrabão!
Pois é, a treta do cravo espetado no cano da G3 representar a libertação ao poder absoluto não passa de uma invenção de leigos, de malta revolucionária em que a História serve apenas de estorvo.
A verdade, a mais pura das verdades, é:
A hidranja, hortênsia para os amiguinhos do Sul, foi a primeira flor a representar o ideal da libertação. A prova provada encontra-se nos relatos de Alberto Pimentel aquando da caminhada do exército de D. Pedro IV ao Porto depois do desembarque na praia da Memória:
“… Fora o caso que, ao aproximarem-se do Porto, os expedicionários encontraram pelo caminho, ao alcance da mão, uma flor que é vulgar nosso país, e casualmente exibia as cores que D. Pedro havia adoptado em Angra por decreto de 18 de Outubro de 1830, para a bandeira nacional. Deles, os portugueses que tinham nascido nas províncias do sul chamavam a essa flor hortênsia; os minhotos e os outros do norte conheciam-na pelo nome de hidranja.
Não é antiga em Portugal, porque apenas fora importada do Extremo-Oriente no fim do século passado; mas propagou-se prolificamente numa abundância inundadora. Floresce em corimbo, com pétalas ovais, cor-de-rosa umas vezes, outras vezes azuis, também azuis e brancas, e esta última coloração tornou-se frequente nos arredores o Porto.
Os soldados do Mindelo, colhendo a hidranja e hasteando-a triunfalmente no cano das espingardas, fizeram dela, ao entrar na cidade, a flor simbólica do constitucionalismo, – tomaram-na como emblema da causa que vinham defender. E o símbolo ficou, como se houvesse sido escolhido por uma resolução oficial ou pacto unanimemente deliberado.
Todavia, fora um simples acaso, a coincidência das cores, que impressionara de repente os expedicionários. Nas janelas de Cedofeita, as damas constitucionais, vestidas de azul e branco, saudavam, batendo palmas e acenando com os lenços, a passagem dos batalhões, especialmente o académico…”
Pois bem, hoje (ontem), dia de pompa e circunstância, em que se assina um tratado europeu que me escapa, e desconfio escapará, será assinalado para mim e para sempre, como o dia em que o cravo vermelho, para além de piroso, é aldrabão.
Chupa que é caramelo! Isto sim, é importante.

Sem comentários: