pedro alex

30/12/07

I Can Get...




Por vezes, ao equacionar um post, sirvo-me do traquejo das mulheres que passaram e passam por mim:
- O que fazer para o jantar?
Vai-se à geleira, vai-se à dispensa, vai-se à arca frigorífica, e, num drible de ocasião, arranja-se um belo repasto. Há, no entanto, uma meia dúzia de elementos que não podem faltar: o alho, a cebola, a salsa, a pimenta, o azeite e o sal, tudo o resto são acréscimos.
Estou numa etapa em que ao contemplar este espaço, olho-o, como quando o burro olha para o palácio, e interrogo-me:
– qual a sua utilidade?
Como pensar cansa, avanço despreocupado sobre a questão, e como as benditas fêmeas tão bem fazem, improviso um jantar, ou post, ou o raio que o parta. Estou numa etapa em que o calão me soa muito bem – deficiência lexical –.
Merda!
Uso-a quando me queimo.
Sem qualquer ideia predefinida – ideias para quê? – vou, então, buscar os seis elementos que não podem faltar: a imaginação, a criatividade, a observação, o sentimento, a rememoração e a consciência.
Preparo-os apressadamente, cozinho-os em fogo pachorrento e zás-trás-pás – sai-a um post! -. Depois, olho-o, satisfaço-me com o improviso e sirvo-o frio.
Mais tarde, talvez muito mais tarde, revejo-o, como disse, a modos dum burro a olhar para o palácio, e não lhe encontro necessidade, tão pouco contentamento.
Vou pensar no para quê, talvez daqui a mais tempo, muito mais tempo, lhe encontre o propósito e me encha de satisfação.

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