pedro alex

28/01/08



Estou tão subjugado por um nó corredio, estou tão, mas tão, que fogem-me as palavras, fogem-me para além, longe, distante do meu querer em articulá-las. Estou tão, mas tão, que das letras, destas que escrevo, só me despontam pensamentos desconexos, sem razão de serem, recuados, ou que me recuam, não sei, atrasam de um raciocino esperançoso, com princípio, meio e fim. Sei de mim, assim, atado, quando abuso sem freio nem tento das vírgulas, que vão separando, como quem separa o trigo do joio, a queda a jorro das ideias, hoje, permanentemente tristes, tão, mas tão, que não sei para que as separo. Nada, não há nada possível que hoje me arrebata desta tremenda infelicidade, impotência, adversidade incompreensível. Como poderá ser possível a inteligência, ou o espírito, não sei, levarem-me a este padrão. Porquê? Cismarei, embora certo que não será na razão humana que encontrarei a solução para esta estranha aflição, tão, mas tão, que de certeza não é deste mundo. É grande a minha tristeza, já de si grande, tão, mas tão, que só o pensamento de um menino a poderia quantificar: da terra à lua. Ir e voltar.

A imagem da tristeza está na fotografia, nas aves que interromperam o voo, na água que suspendeu o seu curso, nos raios de luz, fugazes, que não me alumiam, no farol inacabado, e por isso, sem serventia. Que mau génio o meu, que ousadia a tua, melancolia, atreveres-te a dar-me ânimo para que te escreva. Vai-te, de mim levas só isto! Farta-te, consome-me, mas vai-te, vai de vez.

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