Há coisas na vida que não consigo evitar, umas boas, outras menos boas, acontecem-me inadvertidamente, sem aviso, sem remédio, porque, que eu saiba, ainda não existe forma, por mais avantajada que seja a minha inteligência, para dar cobro à entrada desses acontecimentos que, mais uma vez, inadvertidamente me acontecem. Depois deles sucederem existe toda uma sequência de explanações vindas da minha inteligência emocional, que os organizam, resolvem e encaixotam.
Siga o princípio e vamos prós meios:
Por não ser socialmente hiperactivo, em boa verdade não possuo um livro de endereços de e-mail vasto, todavia é suficientemente abundante para que surjam um tipo de mensagens que, mesmo com toda a calma e ponderação que o meu curriculum anuncia, me exaspera, o tipo, por ser tão tolo e impensado. Falo, pois, das mensagens que se por preguiça ou incredulidade minha não as remeter a 31 destinatários, sobre pena capital, o meu periquito nunca mais piará, engordarei 10 quilos nos 10 dias seguintes, a gasolina aumentará indefinidamente e os atacadores dos sapatos andarão desapertados para o resto da vida. Como diria uma ilustríssima personalidade que conheço: que medo!
Muitíssimo bem, depois do princípio e acabado agora o meio, vamos lançar mão à obra e redigir o finalmente:
Assanho-me então eu com quê? Não é com o tipo de e-mail, não é com o remetente, é com a alma criadora. Por muitas voltas que remexam o meu pobre e cada vez mais transviado cérebro, não consegui determinar qual o motivo que induziu a alma criadora a ter o ruminante trabalho de arquitectar tal conjunto de palavras. É pois, a minha total falta de compreensão na razão de porque o tal discurso foi pensado, que me leva a cometer actos de loucura, isto é coçar a cabeça e desalinhar o cabelo, coitado, já de si desordenado.
Agora, quase mesmo nos finados, faz-se luz, o coração palpita, a boca sorri, as mãos esfregam-se de satisfação enquanto que a alma esboça um princípio orientador que me dará a solução para a descoberta dos fundamentos do dito tipo, de e-mail caso já ninguém se lembre. Bastou-me evocar qual a aspiração que me levou a redigir esta pantominice. Relembro-a e noto que encaixa na perfeição no eventual motivo da alma criadora.
Qual será ela então?
Respondendo pausadamente: nenhuma!
Sem comentários:
Enviar um comentário