- Boa tarde!
- Boa tarde.
- Diz-me por favor as horas?
- Não ouve as badaladas?
- Desculpe, estava distraído…
No mesmo instante uma velha distraída atravessou a rua, na passadeira com o sinal vermelho. Um carro atropelou-a, matou-a.
- Boa tarde! -
Boa tarde. -
Diz-me por favor as horas?
- Não tenho relógio. Espere! O relógio badalou treze vezes?
- Treze?
- Treze! É dos modernos (sorrisos). É uma hora, presumo!
- Obrigado, estou atrasado.
No mesmo instante duas lésbicas desfaziam o namoro por ciúmes. Uma chegava sempre atrasada, a outra supunha que o atraso era devido a uma relação extraconjugal.
- Boa tarde!
- Boa tarde.
- Diz-me por favor as horas?
- São… é uma hora. Vai almoçar?
- Não, não almoço.
- Venha, convido-o!
- Não aceito convites de estranhas.
No mesmo instante, no telefone de um escritório, um homem telefona a uma mulher convidando-a para uma recepção. Tinha-lhe saído caro aquele número. Ela não aceitou. Não se desculpou. Não quis.
- Boa tarde!
- Boa tarde.
- Diz-me por favor as horas?
- Não faço ideia, não uso relógio.
- Obrigado, eu também não! Espere. Aquele ali deve ter horas. Desculpe, tem horas?
- Sim, 5 para a uma.
- É uma menos cinco! (sorrisos)
- Tenho tempo, vou por aí… Aonde vai?
- Por aí, também. (Disse olhando para o lado)
- (Fixou o olhar) Os nossos “aís” serão os mesmos?
- (Sinto-me tímido) Vamos tentar?
- Sim, à toa…
- Sem eira nem beira…
- Sem jeito nem preceito!
- Sem mas, com “cons” (ar de dúvida)
- Com tudo.
- Vamos! (Olhar meigo e decidido)
Foram (Julgo que indecisos).
Nesse instante, uma mulher dera à luz gémeos, como queria. Fez-se aprovar, algures no mundo, a abolição da pena de morte. Um pai salvou um filho de uma morte por afogamento. Um jovem conseguiu uma bolsa de estudo após anos de esforço e dedicação. Houve um eclipse da lua dando prazer e espanto. Uma família reconciliou-se de uma zanga antiga.
(Não adianta contrariar a tendência do texto).
Depois de algum tempo, caminhavam de mãos dadas. Nesses instantes as simultaneidades eram coincidentes. (Contos de fadas modernos).
Depois de esboçar isto, retomo a minha vida.
Abro o livro na página 427, a teoria da conspiração desfizera-se mediante prova insuspeita de que ela não possuía conhecimentos suficientes para manobrar um guindaste e largar a pedra de trinta toneladas, suficiente, ao ser lançada na albufeira, para provocar um movimento ondulatório na água capaz de gerar energia suficiente para derrubar as paredes de betão. Não tinha sido ela a culpada daquela desgraça. Quem seria? (O livro não presta, fecho-o desinteressado).
(Chove) .
Há mais mundos por aí…
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