Sempre confundi flores. Hão-as giras e pirosas, tal como sardinhas que não passam de peixes pequenos e pescadas que se resumem a peixes grandes.
Grande é, não no peixe, a minha confusão quanto à classificação da margarida, do malmequer e da gerbera. Diria que as 3 são irritantes, tal como os rebuçados.
O irritante dos rebuçados manifesta-se no desassossego que me provocam enquanto não os liberto do embrulho e os enfio na boca sempre ciosa de doce. Nada melhor que uma boca doce. Tudo não passa de uma sensação, a degustação. Se for uma boca doce, muito mais irritante do que o rebuçado, a sensação da sua degustação poderá desencaminhar-se em vício. Surgem os beijoqueiros ou eiras aos quais me solidarizo na causa e no vício.
Os vícios são pois irritantes, ou não.
Coitadas das margaridas, malmequeres e gerberas, não sossego enquanto pétala a pétala não descubro o verdadeiro interesse que alguém nutre por mim. Principalmente nas gerberas que têm mais pétalas, o vício transtorna-se em desespero dado nunca mais chegar ao fim. Será crueldade pétala a pétala descobrir um sentimento?
Também não será uma crueldade, aspecto a aspecto, descobrir uma personalidade?
Claro que não. Os aspectos de uma personalidade não são susceptíveis de serem decepados. Todos nós, no entanto, somos como as flores, ou giros ou pirosos. Mais ou menos viciantes, com mais ou menos pétalas, mais ou menos cheiro, mais ou menos cor, mais ou menos adaptados à cerimónia, acto, evento, sei lá mais o quê em questão.
Vindo o calor, certamente, mais uma vez, desabrocharei, não faço ideia nenhuma sob que forma, queiram as deusas (farto de deuses ando eu), nunca sob aspecto de margarida, malmequer ou gerbera.
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