Sou um vendedor de palavras, mais ou menos ricas, coerentes, doces ou amargas. Aqui não passo de um vendedor de palavras, que infelizmente, poucas vezes surtem o efeito que pretendo. Nem a mim, nem a quem me lê.
Resumo a minha venda à imaginação e à simplicidade. Assim vou criando a minha loja.
Recrio-me e por vezes, tantas vezes, minto consciente, tão consciente que até eu acredito nas histórias que conto, nos retratos de experiências passadas, verdadeiras ou inventadas, pois serão essas as únicas conclusões a que o meu ilustre leitor pode aspirar.
Há quem lhe chame imaginação, outros criatividade, e ainda outros, os mais controversos, manipulação que tantas vezes confundem com persuasão.
Hoje, como ontem, ou amanhã, são bons dias para me deleitar na imaginação de recrear ambientes suaves, prazeres ideais, imiscuir-me de guerrilhas inúteis, competições balofas, e sempre, como uma vez escrevi sem saber porque motivo, viver sempre amando e nunca a mando.
Recomeça pois a minha actividade de vendedor de palavras. Iniciei-a com um post dinâmico e insinuador “Queres?”mas que, no entanto, termina de forma terna e meiga, no pressuposto fantástico, que da comunhão das almas se consegue a variedade cúmplice dos comportamentos.
Das formas de poder que mais aprecio observar é o resultante da cumplicidade, da partilha, das brutais e diferenciadas personalidades do homem e da mulher. Também dessa observação aspiro um dia consegui-lo, esse poder, tranquilamente.
Doutras coisas aprecio. Sem a gula de o compreender, o imprevisto, o inesperado, dá-me o condimento necessário para que possa viver a vida em paz, na certeza absoluta de que um dia, quando me julgar capaz de a compreender, serei um inútil.
Recomeça pois a minha vida, cansado porque as férias foram curtas, mas com um prazer enorme de me julgar um bom vendedor.
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