Escrevo ressacado, com a língua encortiçada pelo álcool, os olhos inchados pela falta de sono, as mãos a tremerem pelo cansaço, os pés doridos das andanças, o pensamento bloqueado por excessos libidinosos não concretizados.
Olho para o Swatch que me dá tempo, é-me indiferente o tempo, e para as mãos que querem agarrar outras mãos, e nada, tudo se revolta, dos dedos nada me sai para compor mais uma actualização neste meu blog.
Ai!... Como gosto de brincar com os meus dedos. Olho-os, estão morenos, estão ansiosos, querem servir por prazer.
Sigo, passo este meu pensamento nada, mas mesmo nada ingénuo.
O que farei? O que direi?
Nada, mas mesmo nada, repito-me.
Sinto-me bem nesta letargia, quase meiga se não fossem as dores de cabeça aldrabadas por comprimidos que mas tiram. Deixo-me ir, gosto de me deixar ir, embalo-me em imagens, não me embalo em teorias que hoje não têm espaço de manobra nem êxito.
Gostava tanto de parar por aqui, não escrever nem mais uma palavrinha e deixar-me ir. Fecho os olhos, conheço o teclado de olhos fechados de tanto o martelar.
As imagens sucedem-se, tão serenas mas tão fortes…
As pulsações aceleram pela vontade de escrever outras coisas, é da ressaca.
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