Há tanto, tanto tempo, durante as imensas viagens de automóvel que fazia com a família, acompanhava-me uma tia, uma tia muito querida, mistura de mãe e avó com fada. Por entre as curvas que nunca me faziam enjoar pedia-lhe sempre que me cantasse as modas de quando era pequenina. Havia uma que me deliciava, me dava paz e alegria, sentimentos pouco valorados na minha consciência imberbe. A música ainda cá canta, dentro de mim agora nada imberbe, barbudo, anarquista da alegria e da paz. Alegria e paz, nada ao jeito do Buda, Cristo e Maomé, ao meu jeito serão assim:
"Meu barquinho, meu barquinho
Que andavas num mar risonho,
Sobre vagas de carinho,
Batel de sonho voga mansinho.
Meu barquinho, minha herança,
Só tu me podes lembrar
O meu berço de criança,
A embalar a minha esperança."
Oh ai!
Não me lembro dos outros versos, lembro-me da imagem do seu rosto pouco vincado e feliz, da sua voz minhota, e das bolachas de baunilha que inundavam o carro de migalhas. Talvez esta seja uma pista para encontrar a suavidade. Devo estar confuso com a alegria e paz, terei de refazê-las.
“Calma e coragem que esta vida é uma passagem”, dizia um velho professor de contabilidade. Pista a pista, eu chego lá!
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